segunda-feira, 16 de abril de 2012

Parabéns desenhistas

Não sei bem se o dia 15 de abril é o dia de quem vive de desenhar ou se qualquer um que goste de desenhar também é contemplado, mas pelo sim, pelo não, este post é pra quem gosta de desenhar, trocando seus desenhos pelo vil metal ou não.
Nada melhor do que um post de modelo vivo para homenagear quem desenha, e por acaso sábado passado houve uma sessão de modelo vivo da qual participei.

Íamos como sempre, fazendo (ou tentando fazer) desenho gestual guiado pelo todo, passando o movimento da figura, direção, conectando... e tudo o mais que deveria ser feito (não necessariamente o que se faz).
E assim foi.... poses de 30 segundos... 1 minuto... 3, 5 e 10 minutos. Até que após uma pausa, a modelo (que não guardei o nome) deu a ideia de fazer poses interligadas, ou seja... uma pose vai mudando lentamente para outra e para outra. Acho que um exemplo bom para isso seria desenhar uma pessoa fazendo Tai Chi Chuan. Ela vai se mexendo lentamente e íamos desenhando o que conseguíamos.
Esse tipo de sessão é bastante usada por animadores, que desenham num método diferente, dando ênfase à  figura com ação. No nosso caso o método é um pouco diferente, e por isso o povo se embananou bastante.

Modelo vivo - ?? segundos
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Comecei meio sem saber por onde... ao fixar as pernas e olhar novamente para a modelo, os braços já estavam num local diferente... um caos. Mas mesmo assim achei bem legal pois cada pose não dura mais do que um olhar... dois no máximo,  e com isso a descrição se torna algo completamente supérfluo. Este é um dos motivos pelos quais estes desenhos saíram tão leves. Mal tocava o lápis no papel, pois qualquer força a mais iria marcar uma coisa que não estaria mais ali.
 Mas mesmo assim queremos ter um "resultado". Um "algo" que identificamos como perna... barriga.

Modelo vivo - alguns instantes
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Fizemos mais uma parada, e nesta conversamos sobre as dificuldades deste desafio novo, e o Maurício propôs fazermos os desenhos sobrepostos mesmo, sem intenção de ligar uma coisa à outra e menos ainda de ter uma figura reconhecível no final. Seria quase um "desenho cego", buscando somente o movimento.

À princípio não entendi o objetivo e por isso me pareceu um pouco "viagem" demais, sem função, pois, conseguindo relacionar já é complicado desenvolver o desenho, desta maneira é impossível. Mas é esse mesmo o objetivo: se concentrar puramente no movimento e só. Qualquer outra variável está fora dessa equação. Mas qual o limite entre isso e um desenho que é qualquer coisa... algo que só está validado pelo discurso? É nesse momento em que meu Mestre disse algo que no momento não digerí inteiramente, mas que (acho) que consegui entender. Ele falou que "...o parâmetro é a sua sinceridade!"

Ao repetir isso eu quase consigo ouvir os hippies sentados ao meu lado, mas pensando melhor, prefiro dar ouvidos ao mestre zen, e agradeço aos anos de prática de Kung Fu.
Minha verdade é o que acredito. E sou um artista realista.. portanto, faço um "desenho cego" de uma sensação de movimento, um movimento que percebo, vejo e sinto, e não "algo" etéreo e largado, só porque estou liberto da forma... da coerência visual.

"Pôôô bicho! Que viagem!
Clica no berenaite pra não estressar os olhos
Não sei se consegui alcançar o que foi proposto, mas a ideia eu gosto. Vou tentar novamente.
E só pra não virar um blog sobre arte contemporânea, este último desenho foi feito com uma pose estática, de 15 minutos se não me engano. Mas percebi uma certa diferença ao fazer este. Não sei explicar ao certo o que foi, mas foi interessante.

Modelo vivo - 15 minutos
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quarta-feira, 21 de março de 2012

Estudo em óleo

Completei este estudo em três ou quatro aulas, o que considero pouco, considerando o grau de acabamento e que recomecei do zero, após alguns equívocos logo na primeira sessão e que meu professor teve a maestria de perceber no início.

Resolvemos partir de uma paleta restrita, com 3 terras (sombra queimada, siena queimada e light red), 2 cores quentes (amarelo de cadmio e vermelho de cadmio) além do branco e preto. É interessante que mesmo sem cores frias na paleta (como azul ou verde, por exemplo) existem alguns tons arroxeados e outros que puxam para o verde amarelado, sendo que ambos tem essas tonalidades por causa da mistura com o preto.

Já no final fui orientado a tirar algumas informações desnecessárias, dando mais enfase ao fluxo de luz, o que fez bastante diferença, embora fossem coisas muito sutis.

Estudo em óleo sobre papel telado

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pinacoteca - Eliseu Visconti

Domingo passado reunimos por volta de 20 pessoas entre alunos e amigos do ateliê que estudo para uma visita à Pinacoteca do estado de São Paulo, especialmente para ver a exposição sobre Eliseu Visconti.

É uma exposição que vale a pena visitar, pois Eliseu Visconti tem algumas obras muito interessantes, seja pelo trabalho muito bem executado ou pela mudança de perspectiva, passando de obras lineares (de qualidade) a outras de conteúdo pictórico muito bem executadas. Alias, um adjetivo que o colega Marcelo deu a  Eliseu Visconti e que concordo plenamente é que é muito arrojado, especialmente na hora de passear por outras vertentes que deviam ser moda na época.

O colar - 1922

Passou pelo impressionismo e até pelo modernismo, mas infelizmente, como acabamos chegando à conclusão, não mantém o mesmo nível técnico nessas incursões, embora em alguns momentos se saia muito bem.

Uma curiosidade é que encontramos em uma das salas um desenho pequeno que conhecemos muito bem no atelie.

 

O desenho da esquerda é o de Eliseu Visconti. O da direita é de John Singer Sargent, pintor americano que costumamos estudar. Comparando os desenhos, não dá pra falar que não foi uma cópia, muito mal feita.
O ponto negativo disso é que não ha menção alguma a Sargent, e o desenho está inclusive assinado por Eliseu Visconti.
Como ponto positivo posso dizer que já ví muito aluno do atelie fazendo cópia desse desenho muito melhores.

Após um café, fomos desenhar algumas esculturas pela pinacoteca.

BRECHERET
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AUGUSTE PUTTEMANS
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RODOLPHO BERNARDELLI
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RODOLPHO BERNARDELLI
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Pequeno desenhista

Quarta feira passada, passei metade da tarde no colégio aonde minha filha estuda. Bom... estuda tanto quanto uma criança de 2 anos e meio poderia estudar, ou seja, brinca, socializa... e se desenvolve bastante. Como ela ainda é pequena, existe um período de adaptação, e eu tive que acompanhá-la. Fiquei na parte externa do prédio, conversando com o pessoal que faz a segurança, e depois me voltei a uma estátua de Nossa Senhora de Scion que existe ali.Como estava com meu caderno, resolví desenhá-la, já que estava empolgado por ter ido à Pinacoteca no domingo anterior.

Nossa Senhora de Scion

Fiz um desenho relativamente rápido. Não deve ter passado de dez minutos, mas o que foi realmente legal foi um menino que foi falar comigo.

Ele chegou, me perguntou o que eu estava fazendo. Eu respondi e vendo o interesse, perguntei se ele gostava de desenhar. Ele disse que sim e saiu correndo.
Alguns minutos depois ele voltou. Ofereci a ele uma folha e lápis, e ele me mostrou um caderninho que havia ido buscar.

Parou perto de mim e começou a rabiscar alguma coisa. "Quer ver o que eu desenho?"
"Claro!", eu disse, e continuei ali.

Após alguns minutos ele me mostra um dragão, digno da imaginação de um menino de 10 anos.
Como já tinha me cansado (é, a idade pesa... hehe) me sentei e ele veio me perguntar: "me diz alguma coisa pra eu desenhar?"

Isso me lembrou muito a minha infância, quando torturava minha mãe com essa mesma pergunta.
"Um cavaleiro, pra matar esse dragão!", e ele se deitou no banco, na minha frente e empolgado começou a rabiscar. E eu, muito feliz de ver esse pequeno desenhista em sua felicidade em fazer algo que gosta, resolvi fazer algo que gosto também.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Revivendo naturezas mortas

Durante todo o meu tempo de estudo, não foram poucas as naturezas mortas que fiz. Muitas cópias, outras montadas no atelier.
Me dei conta de que não tinha nenhuma no blog ainda, então vai de baciada. Algumas vão ficar sem nome do autor do original por que não sei de quem são.

Natureza morta montada no atelier
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Nesta natureza morta foi a primeira vez que usei giz pastel colorido.
O Autor não sei quem é. Leffel talvez?
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Outra cópia provavelmente de Leffel.
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Cópia de Claude Monet.
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Natureza morta montada no atelier (inacabado)
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Primeiro uso de tinta a óleo.
Cópía de Pintura de Leffel.
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domingo, 27 de novembro de 2011

Leonardo da Vinci (ou "como respeitar os mestres")

É fácil falar que uma pessoa é um gênio quando todo mundo reforça esta ideia. As pessoas falam por que outros falaram e assim uma ideia que nem sempre é verdadeira vai se propagando. Mas nada como conversar com o "gênio" (essa palavra ainda não me parece muito boa) para estar de frente com as ideias e poder perceber se os que apenas repetem o que ouviram por acaso estão certos.
Felizmente quando se estuda uma obra de um  mestre, muitas vezes se pode entender como ele mesmo pensou ao fazer aquilo, e a sensação é quase como se o próprio estivesse conversando com você.

Neste último mês estive estudando desenho tonal. É um estudo em carvão e pastéis em tons de cinza, aonde se deixa o valor do papel agir como meio tom.
Quando recebi a referência do meu professor, não só achei que seria um estudo relativamente fácil como não sabia de quem era o original.
Lá estava eu com aquela referência de panejamento (tecido) pensando que seria mais trabalhoso do que difícil de fazer. E comecei o desenho no carvão.
Conforme ia avançando, cada vez mais ia percebendo que o buraco era mais em baixo. Por sorte meu professor corrigiu alguns problemas logo no início e então percebi a complexidade do pensamento por trás daquele pano enrolado.


Demorei um pouco, mas acabei a minha conversa com o Leonardo da Vinci. Depois de conhecer o modo como ele pensava o desenho, respeito muito mais este artista do que apenas quando via a Mona Lisa (La Gioconda) e  ouvia as pessoas dizerem que era um gênio. Eu prefiro chamá-lo de Mestre.

Carvão e pastel sobre papel
Original de Leonardo da Vinci

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Nina

Nina - Grafite

Esta é Nina, minha nova modelo, posando com mais ou menos 24 horas de vida. Apesar da pouca idade ela se mostrou uma boa modelo enquanto dormia.
Não sei ao certo quanto tempo demorei, mas foi o tempo da mãe tomar um banho rápido. Talvez uns 10 minutos, nos quais ela se mexeu muito pouco.
É uma menininha muito tranquila, isto é, tão tranquila quanto um bebê de 1 mês pode ser. Está ótima e a irmã a adora.  Espero acabar em breve uma pintura na qual as duas estejam juntas.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Modelo vivo - Agosto de 2011

Modelo vivo - grafite - 3 min.


Modelo vivo - grafite - 10 min.


Modelo vivo - grafite - 10 min.


Modelo vivo - grafite e contè - 20 min.




quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bunkyo 2011

Duas obras minhas foram selecionadas para a "Grande Exposição de Arte Bunkyo" deste ano. Uma pintura a óleo e um desenho em carvão que serão expostas de 9 a 16 de outubro, na Rua São Joaquim, 381 em São Paulo-SP - Brasil.


Uma eu não cheguei a colocar aqui no blog por falta de tempo (assunto pra um próximo post). Esta eu chamei de "Cartagena", em homenagem à cidade Cartagena de Indias, que fica no mar do caribe colombiano. 
Ficou pronta pouco tempo antes do término do prazo de inscrição, quase não deu tempo de por moldura.


"Cartagena" - Óleo sobre tela

A segunda obra que foi selecionada entrou quase que como um "tapa buracos" pois eu não tinha uma outra tela pintada. Escolhi então um desenho que gosto muito, não apenas pelo tema, mas pela execução também, que é o retrato de minha filha de 2 anos. E não é que esse retrato recebeu uma medalha de "Menção Honrosa"!!!


"Lais" - Carvão sobre papel cartão

Fiquei feliz em ter entrado, e mais ainda pela medalha, pois já havia algum tempo que não participava de exposições. Espero que consiga continuar num ritmo de produção legal para poder entrar (e quem sabe ganhar mais alguma coisa) em outros salões neste ano.