terça-feira, 26 de janeiro de 2016

"As três graças..."


 Estudo em lápis contè
Estudo em lápis contè
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Finalizei a pouco tempo atrás o quadro que chamei provisoriamente de "As três graças" mas sinto falta de algo como "As três graças no campo de fungos"... ou algo do tipo.

A ideia inicial concebida por um grafiteiro chamado Crione era juntar vários grafiteiros com outros artistas de outras áreas e fazer obras hibridas com grafitti e materiais diversos, dependendo do artista.
Me juntei com o  Rafael Frenesi e numa conversa rápida entramos em acordo do que teria na tela e comecei a esboçar algumas coisas em papel, para ter alguma ideia do que iria fazer.

O processo todo foi um grande desafio, começando pelo tamanho. Com um metro e 10 centímetros de largura por dois metros de altura é a maior pintura que já fiz e encarar uma tela branca desse tamanho não foi fácil.
Me baseei bastante em desenhos que fiz previamente para sair do zero e estes estudos realmente me ajudaram muito no começo. Utilizei até uma modelo que participou de uma sessão de modelo vivo no ateliê para poder ter referências melhores.

Outro ponto que foi complicado (mas muito bom) foi ter que desapegar totalmente do resultado final da tela pois não tinha ideia do que o Frenesi iria fazer.

Para ele não havia muito problema porque está acostumado a dividir muros com outros grafiteiros, mas pra mim foi um exercício. Até porque, normalmente preciso me basear no todo da obra para continuar a pintar, mas nesse caso a parte dele ficou esperando um bom tempo pra ser feita.

Frenesi - primeira sessão 
Foram duas tardes para a parte do grafitti estar finalizada. só que entre elas houve um intervalo de meses.
 Neste meio tempo pude dar continuidade em algumas outras coisas, pois já tinha áreas grandes com grafitti com as quais podia interagir.

Uma das ideias que tive após a essa primeira intervenção de grafitti foi a de fazer os tubarões flutuando ao redor das mulheres e o besouro pousado na flor, porque o Frenesi resolveu colocar alguns insetos ao redor, além de outros animais que acabaram não sendo feitos no final. Utilizei este desenho para testar os tubarões.

Modifiquei algumas coisas durante o processo. Umas para testar alguns conceitos que estudava na época, outras apenas por questões estéticas minhas.
Uma destas foi o rosto da mulher da esquerda, que não me agradou desde o princípio.
Acabei pedindo para a Sandra (uma aluna do Ateliê Contraponto) posar para eu fazer o rosto, que me parecia muito mais interessante.

Foi um trabalho longo e muito proveitoso, pois me ensinou bastante coisa sempre me levando a uma situação nova.
PS: troquei a foto final por uma outra com melhor qualidade


"As três graças .."
Óleo e grafitti sobre tela
110x200 cm




sexta-feira, 19 de junho de 2015

Caderno

Desenho em grafiti feito no caderno de um colega educador e grafiteiro. Usei a parte de cima para estudar um tema que pretendo usar em outro trabalho, os tubarões martelo.
Pensei em usar lápis sanguinea para dar uma cor no desenho mas o papel por ser muito liso não aceitou bem o lápis. Desisti da ideia mas deixei o pouco de cor que pegou, mas apenas no rosto.

Desenho - grafite em caderno


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Para fechar 2014

Por acaso me dei conta de que o último post que fiz no blog é de Janeiro deste ano de 2014.
Pensei em fazer uma retrospectiva mas seria um post muito longo e com muitos assuntos diferentes uns dos outros, então farei este post mostrando um desenho em pastel seco  que apareceu neste post, ainda sem nome.
Ainda não precisei nomeá-lo para nada, então tenho chamado de "Crio", relacionado ao apelido do retratado, mas este nome provavelmente será provisório (ou não, como diria Gil).

"Crio" - 50cm x 70cm
Pastel seco colorido sobre papel cartão
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Pequeno caderno de sketch

Ano passado comecei a desenhar no metrô, em minhas viagens diárias.
No começo usava um caderno grande, mas ele era difícil de sacar quando precisava, chamava muita atenção.

Logo arrumei este caderninho. Um pequeno. Bem pequeno. De bolso.
Aí sim consegui desenhar bastante. Para não dizer que ele é perfeito, tem a inconveniência de não permitir desenhos maiores, o que ele compensa pela mobilidade.
Mesmo nas horas em que o metrô está lotado consigo desenhar.

Acho engraçado o modo como algumas pessoas me olham com o caderninho (que parece uma pequena bíblia).  Devem pensar: "o que este doido está anotando na bíblia.... e olhando pra mim ainda???"
Outras vem falar comigo. "Que legal o que você fez. Parabéns!" ou "eu gostava de desenhar quando era criança, depois parei."
Sempre tento falar alguma palavra que incentive elas a voltar ao velho habito.

Olhando com atenção dá pra perceber nos desenhos até mesmo uma certa evolução, entre altos e baixos.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mais educadores

Mais dois desenhos em pastel seco que fiz baseado em minhas fotos pessoais de referências.
Essas fotos foram tiradas nas reuniões semanais da ong para a qual eu trabalho dando aulas para os adolescentes dentro da Fundação CASA (ex FEBEM).

São educadores de arte e cultura, das mais variadas formas. Desde artistas plásticos até capoeiristas, de atores e dramaturgos até street dancers (BBoys) e grafiteiros entre outros.
Pessoas que entram todos os dias num mundo à parte, muito diferente do que as pessoas que não tem contato com ele imaginam, tentando levar aos meninos algo que se tivessem tido acesso antes, talvez não tivessem escolhido um rumo tão ruim para suas vidas.

"Discordante"
Giz pastel seco sobre papel cartão
41,5x51 cm

Estudo para "Resigne"
carvão

Resigne - pastel sobre papel craft
46,5 x 57 cm

Este ainda não tem nome... ainda falta algum trabalho para acabar.

domingo, 27 de outubro de 2013

Perfil

Tenho pensado bastante no quanto tenho estudado em vez de produzir trabalhos mais finalizados.
É realmente muito bom conseguir fazer um "corpo de estudo" consistente. É aonde muito conceito técnico  passa da via racional para uma outra intuitiva. Fora os "toques" que você recebe dos mestres, sejam eles Rembrandt, Velazquez ou Sargent ou o seu professor, que vê você tropeçar nos próprios pés mas mantém a paciência e lhe mostra novamente o caminho.

Mês passado me inscrevi num Salão de arte (depois faço um post sobre ele) só que por investir tanto em estudos acabei não tendo obras recentes para me inscrever (acabei inscrevendo uma obra mais antiga e um estudo).
Por isso hoje eu resolvi fazer algo que eu consideraria algo finalizado, e o incrível que só esta mudança de postura em relação ao trabalho parece que já fez diferença.

Escolhi uma referência minha que queria por no papel e me preparei para o que normalmente seria algo muito mais .... pesado... uma batalha mesmo. Isso porque um estudo não tem responsabilidade... se sair bom, ótimo, mas se não sair, pelo menos que eu tenha feito o processo de forma correta, mas um trabalho final não tem muito dessa leveza.

Só que por tanto estudar, repetir e repetir, o processo que seria pesado acabou sendo muito prazeroso. Não digo que tenha sido a coisa mais tranquila do mundo, mas os problemas que apareciam eram apenas uma parte do processo, e não um problema além da imaginação.

Esta experiência me mostrou que é muito bom estudar, e é ainda melhor  por em prática o que se estudou e ver que não foi em vão.

Perfil (nome provisorio) - 21x27,5 cm
Grafite, lápis carvão e sanguinea sobre papel


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Estudo dos mestres - Rembrandt

A obra se chama "Retrato de um homem velho em vermelho" e o meu estudo em pastel seco é apenas do rosto da figura.
Após estes estudos dos mestres (que ainda não acabaram), percebo que volto a me conectar com o processo, o que é muito bom.

Retrato de um homem velho em vermelho - estudo de  Rembrandt
Pastel colorido

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Estudo dos mestres - Edgar Degas

Outro estudo a partir de obras de mestres. Desta vez o escolhido foi Degas, e este retrato em específico pelo uso de cores bem saturadas e ao mesmo tempo bem equilibradas em um retrato.

Uma curiosidade é que embora tivesse contatos com os impressionistas e tenha influenciado e sido influenciado por eles, e talvez por isso seja chamado de impressionista, ele mesmo se denominava realista.

A grande dificuldade que tive foi conseguir usar certos tons no pastel, especialmente o vermelho e amarelo de cadmio, que são extremamente duros e acabavam quase rasgando o papel craft de baixa qualidade que usei. Para conseguir passar por esta dificuldade, acabei tendo que "relativizar" a saturação, fugindo do que a referência mostrava e tendo que trabalhar num grau menor de saturação, mas que no contexto faz o mesmo papel. Nada como o toque de um mestre ao seu lado para entender como os mestres trabalham.  Pena ter tirado apenas duas fotos no processo.

Passo 1 - primeiro dia.

Estudo finalizado.
Pastel seco sobre papel craft.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Estudo dos mestres - Diego Velázquez

Este estudo da obra "Costureira" de Diego Velázquez (que a princípio eu achei que fosse do Vermeer) foi feito duas ou três vezes, até este que foi o último. Nas vezes anteriores algo da base saia errado e achei melhor refazer por inteiro da melhor maneira do que ir "remendando".
Como sempre as obras de mestres são muito mais sutis e inesperadas do que achamos num primeiro olhar e talvez por isso tive que refazer algumas vezes, por que é difícil entender rapidamente como chegaram naquilo.


Estudo de Velázquez
 Pastel seco sobre papel craft

terça-feira, 9 de julho de 2013

Sessão de retrato - junho de 2013

Nada mais justo do que colher os frutos do que se planta. E tenho plantado muito desenho, especialmente gestual. Por isso percebi uma melhora na abordagem e na resolução dos problemas que a sessão de retrato me propôs.
Novamente eu escolhi utilizar as 4 sessões não para completar uma pintura, mas para fazer vários exercícios. O primeiro deles foi o gestual utilizando carvão e lápis carvão.
Como as circunstancias atuais na minha vida não permitem trabalhos mais longos, tenho feito mais desenhos gestuais, a maioria com grafite, o que me ajudou bastante neste primeiro exercício.

Retrato ao vivo - carvão
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Na aula seguinte utilizei giz pastel em tons de cinza. Até que me virei relativamente bem com os problemas extras que o uso de valor traz... 

Retrato - giz pastel em tons de cinza
(clique para aumentar)

Nas duas outras aulas eu usei giz pastel colorido e, por falta de treino ou por algum cacoete, tive alguns problemas, especialmente por usar cores muito saturadas, o que torna difícil o controle.
Fiz uma primeira tentativa frustrada e depois um segundo que avancei mais, mas com os mesmos problemas.

Retrato - giz pastel colorido
(clique para aumentar)

Duas fotos que vou colocar por curiosidade.
A primeira estão todos os estudos juntos, inclusive o que parei na metade, e na segunda uma foto minha, da modelo e do desenho juntos.




Foto de Elisa Takiguthi